Números indicam que 1 em cada 10 motoristas que dirigem veículos pesados não passam no teste
O Brasil enfrenta um cenário preocupante na fiscalização do transporte profissional. Mais de 1,1 milhão de motoristas estão com o exame toxicológico obrigatório vencido, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O problema se espalha por todo o país, mas alguns estados concentram os maiores volumes de irregularidades. São Paulo lidera o ranking nacional, com cerca de 350 mil condutores em situação irregular. Na sequência aparecem o Paraná, com aproximadamente 93 mil motoristas, e Minas Gerais, que registra 82.355 condutores com o exame vencido.
Especialistas alertam que o número elevado representa um desafio direto para a segurança viária e para a fiscalização nas rodovias, especialmente no transporte de cargas e passageiros. Os motoristas que não comparecem ao exame são definidos como parte da “positividade escondida”, conforme explica Rodolfo Rizzotto, autor do estudo “As Drogas e os Motoristas Profissionais”.
“Quem faz uso de drogas regulamente não vai pagar para fazer um exame que terá laudo positivo. Então a tendência natural é que não compareçam. Por outro lado, os que pagam pelo exame que dá positivo já perderam a noção do grau de dependência química. Mas todos são bombas relógio circulando nas rodovias.
Os motoristas que não comparecem deveria ter suas habilitações suspensas pelos Detrans e serem autuados, pagando a chamada multa de balcão, de R$ 1.467,35 , conforme prevê a legislação. Entretanto, a maioria dos dirigentes de Detrans tem sido omissos e garantem a impunidade desses motoristas que na maioria absoluta são usuários de drogas.
PRF flagra motorista com freios precários, transportando 13 toneladas acima do limite e com o toxicológico vencido
Na tarde desta terça-feira (3), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou na BR-153 em Erechim (RS) carreta que transitava com diversas irregularidades, somando mais de 13 toneladas de excesso de peso e falhas no sistema ABS dos freios.
A equipe apurou que o conjunto possuía um total de 13,6 mil quilos de excesso de peso na carga e 7,6 mil quilos acima da Capacidade Máxima de Tração (CMT).
Além da sobrecarga, foi constatado defeito no sistema de freios ABS, verificado que o condutor estava com o exame toxicológico vencido e descumprindo o descanso obrigatório previsto em lei.
Especialista alerta sobre a dependência química
Para o médico Alysson Coimbra, diretor científico da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra), o alto índice de motoristas que deixam de realizar o exame pode estar associado à dependência química, muitas vezes ligada às condições de trabalho.
“Muitos profissionais passam a utilizar substâncias psicoativas tentando superar algo que é impossível de vencer: a necessidade de descansar”, afirma Coimbra.
Segundo o especialista, jornadas exaustivas e privação de sono criam um ambiente de vulnerabilidade emocional, levando condutores a buscar nas drogas uma falsa solução para suportar a jornada . “Em geral, esse ciclo começa com anfetaminas e pode evoluir para combinações cada vez mais complexas de substâncias psicoativas”, acrescenta.
O que diz a lei
O exame toxicológico é obrigatório para motoristas com CNH nas categorias C, D e E. A não realização do teste é considerada infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com multa de R$ 1.467,35 e sete pontos na carteira.
Desde dezembro, o exame — capaz de identificar o uso recorrente de drogas nos 90 dias anteriores por meio de amostras de cabelo ou pelos — passou também a ser exigido para candidatos à primeira habilitação nas categorias A e B.
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