Análise mostra o impacto da inteligência artificial sobre empregos e empresas, levando em conta diferentes ritmos de avanços da tecnologia e capacitação dos profissionais
A produtividade cresce com a inteligência artificial, mas o trabalhador não necessariamente se beneficiará disso. Essa é uma das conclusões do estudo “Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030”, que o Fórum Econômico Mundial publicou neste mês de janeiro.
As opiniões de 10 mil executivos ouvidos sobre o impacto da IA mostram o seguinte: globalmente, cerca de 54% esperam que a IA substitua empregos existentes, e 24% disseram que a IA criará novos empregos. Quase 45% citaram um aumento nas margens de lucro como um provável impacto da IA, e apenas 12% esperam que ela leve a salários mais altos.
O relatório aponta quatro possíveis cenários para o futuro do trabalho em 2030, cruzando variáveis como o ritmo de avanço da IA e a capacidade dos sistemas de educação e formação para prepararem as pessoas para essa transformação. Em todos os cenários, a polarização salarial tende a aumentar, com ampliação da diferença da relação salarial entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres.
Segundo as estimativas, a desigualdade de remunerações aumenta em função dos prêmios salariais para a força de trabalho preparada para a IA. Em paralelo, a perspectiva é que trabalhadores em ocupações centradas no ser humano – incluindo nos setores de assistência, hotelaria, público e terceiro setor – vejam seus salários se “deteriorarem lentamente” à medida que a concorrência por essas funções aumenta, diz o relatório.
Em um dos cenários desenhados, que também aponta para uma diminuição dos salários globalmente, a desigualdade aumenta entre os trabalhadores que conseguem se adaptar ao cenário em constante evolução da IA e aqueles excluídos por menor acesso à educação, infraestrutura digital ou empregadores que oferecem suporte. No entanto, com as ferramentas de IA elevando os níveis mínimos de qualificação, as diferenças salariais diminuem ligeiramente entre trabalhadores de qualificação média e alta.
4 cenários para o futuro do trabalho em 2030
- Progresso superacelerado: O avanço exponencial em inteligência artificial caminha junto com a preparação dos trabalhadores. A produtividade dispara e a inovação floresce. A ampla preparação para o uso da IA permite que as pessoas aproveitem o chamado “salto agêntico” e se adaptem a economias centradas em IA. Muitos empregos desaparecem, mas novas ocupações surgem e ganham escala rapidamente, em parte com humanos passando a dirigir portfólios de máquinas altamente capacitadas e atuando como orquestradores de agentes.
- A era do deslocamento: A IA avança mais rápido que a requalificação. A IA agêntica assume processos-chave, gerando um salto de produtividade, mas também novos riscos, porque a automação em massa é usada como atalho para a falta de talentos. As economias avançam rapidamente do ponto de vista tecnológico, mas se fragmentam socialmente: o desemprego dispara, a confiança do consumidor se deteriora e os governos enfrentam riscos sociais crescentes e instabilidade.
- Economia do copiloto: O progresso gradual da IA a torna copiloto da força de trabalho, e não substituta. O trabalho é redesenhado para uma mescla de times humanos e inteligência artificial. Mais de 40% das habilidades mudam até 2030. Países e empresas que investiram cedo em capacitação, mobilidade, infraestrutura digital e governança de IA criaram as condições para absorver e avançar no uso de tecnologias emergentes.
- Progresso estagnado: O avanço contínuo e mais lento da IA encontra uma força de trabalho sem as competências críticas necessárias. A falta de talentos freia ganhos de produtividade, e as empresas recorrem à automação para suprir a escassez de talentos. Os ganhos se concentram em empresas e regiões com expertise em IA, enquanto outras veem sua competitividade se deteriorar.
O relatório aponta, ainda, que um dos maiores riscos para as empresas é investir apenas na tecnologia, negligenciando a requalificação de seus funcionários, a cultura e a governança. O documento menciona, especificamente, o risco de escassez de talentos em funções críticas e em design, arquitetura e supervisão de IA, além da concentração de poder em algumas plataformas tecnológicas.
Por fim, o documento diz como as empresas devem se preparar hoje para qualquer um dos quatro cenários previstos. Veja algumas das recomendações relacionadas a gestão de pessoas.
- Alinhe as estratégias de tecnologia e de talentos: À medida que o ritmo da transformação acelera, garantir que a tecnologia e os talentos evoluam em conjunto é fundamental para desbloquear ganhos de produtividade mais amplos. O aprendizado de IA deve ser integrado ao fluxo de trabalho para permitir o desenvolvimento contínuo, personalizado e específico de talentos.
- Invista na colaboração entre humanos e IA e em fluxos de trabalho com agentes: Projetar fluxos de trabalho que prosperem com a colaboração entre humanos e IA será fundamental para aumentar a confiança, a produtividade, a adoção e a resiliência, diz o relatório. Nesse sentido, é importante priorizar investimentos em aumento e integração de fluxos de trabalho com agentes.
- Antecipe as necessidades de talentos e prepare as cadeias de valor para o futuro: Use a previsão e a análise preditiva com IA para identificar talentos emergentes e lacunas de competências. Invista em fluxos de talentos dinâmicos e em parcerias com instituições de ensino e governos. Desenvolva capacidade de treinamento interno, estruturas de mobilidade de talentos intra e intersetoriais para ajudar os trabalhadores a transitar entre ocupações e tarefas, e a desenvolver habilidades multifuncionais e
- Fortaleça a cultura organizacional e a confiança em tecnologias emergentes: Curiosidade, agilidade e experimentação serão tão cruciais quanto o conhecimento em IA para construir confiança nas tecnologias e apoiar a transformação e a competitividade dos negócios. Envolver as principais partes interessadas, implementar diretrizes éticas e garantir a transparência no desenvolvimento e implementação de tecnologia para abordar vieses, construir responsabilidade e confiança.
- Projete fluxos de trabalho multigeracionais: Trabalhadores mais experientes devem aprender com os mais jovens que geralmente estão mais familiarizados com a IA. A formação de equipes de aprendizado multigeracionais pode ajudar a acelerar a adoção e reduzir as lacunas culturais.
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