Transporte de cargas estima dobrar as vendas de apólices em 2025
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Segmento está otimista com a previsão de investimentos em infraestrutura e logística, impulsionados por PPPs, e os novos contratos de concessão

Estimativas da Federação de Seguros Gerais (FenSeg) para 2025 indicam uma alta de 11,5% nas vendas de seguro de transporte de carga. Esse percentual é pouco mais do que o dobro da alta registrada em 2024 sobre o ano anterior, de 5,5%. No ano passado, as vendas de seguro de transporte somaram R$ 6,12 bilhões.

Já as indenizações foram de R$ 3 bilhões, uma alta de 6,1% em relação a 2023, de acordo com dados das Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Nos cinco primeiros meses de 2025, a arrecadação com seguros de transporte já alcançou R$ 2,7 bilhões, 11,4% a mais que igual período de 2024. Foram pagos, de janeiro a maio de 2025, R$ 1,5 bilhão em indenizações. Boa parte do incremento nas vendas esperado neste ano pode ser creditado à obrigatoriedade legal de contratação de alguns tipos de seguro por transportadores. O cumprimento da lei foi reforçado por portaria da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgada em agosto.

“A maior demanda por seguros de transporte vem de cargas com alto valor agregado e fácil receptação pelo mercado ilegal, como eletrônicos, combustíveis e derivados, medicamentos, fertilizantes e bebidas”, observa Marcos Siqueira, presidente da Comissão de Transporte da Federação de Seguros Gerais (FenSeg).

Pesquisa da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) indica que o Brasil registrou R$ 1,2 bilhão em prejuízos com roubo de cargas em 2024, com 72% dos casos ocorrendo no Sudeste. Foram 10,3 mil ocorrências. “Esse cenário pressiona as taxas de seguro, especialmente em rotas críticas como Rio de Janeiro e São Paulo e interior de Minas Gerais, onde a sinistralidade é historicamente alta”, comenta Siqueira.

Para enfrentar esse desafio, seguradoras que atuam com transporte vêm buscando mitigar riscos e sinistros aplicando Internet das Coisas (IoT) e tecnologia de conexão e dados. No primeiro caso, a tecnologia embarcada pode vir de fábrica ou ser instalada posteriormente nos veículos para, por exemplo, monitorar e controlar o nível de fadiga do motorista, a velocidade e, caso necessário, imobilizar e bloquear o veículo. O segundo utiliza radiofrequência, GPRS (Serviço de Rádio de Pacote Geral, forma de transferência de dados usado em redes móveis 2G) e terá, em breve, conexão 4G, conectados a plataformas avançadas de telemetria. Esses recursos permitem a integração entre dados de bordo e planejamento logístico. Além de aumentar a segurança, essas soluções geram economia de combustível, otimizam o tempo de viagem e alimentam uma base de dados que permite antecipar riscos e aprimorar processos.


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