Diagnóstico do PNL 2050 aponta gargalos no transporte de cargas e de pessoas e orienta ações de longo prazo
Ao menos 12 problemas travam a logística, impactando o transporte de cargas e de pessoas no Brasil, segundo a avaliação estratégica do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, apresentado pelo Governo Federal no fim do mês passado.
Esses entraves vão orientar ações para o aperfeiçoamento dos modais, a fim de promover eficiência e competitividade nos meios de transporte no País. O plano ainda recebe contribuições e está previsto para ser concluído até março. O PNL 2050 é o primeiro plano formulado sob as diretrizes do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), instituído por decreto pelo Governo Federal em maio de 2024. O objetivo é aumentar a competitividade nacional, reduzir desigualdades regionais e apoiar decisões estratégicas de longo prazo.
Ainda serão definidos os cenários-meta preliminares, etapa que orientará a priorização dos projetos e a consolidação das diretrizes do plano, antes de sua incorporação às metas do PIT. O PNL 2050 pretende estabelecer uma agenda de investimentos de longo prazo, com foco na diversificação dos modais, redução de custos logísticos, aumento da segurança e adaptação da infraestrutura aos desafios climáticos.
O diagnóstico apontou, entre outros pontos, a predominância do modal rodoviário, a subutilização de ferrovias, os entraves à cabotagem e às hidrovias, a baixa qualidade das estradas vicinais, a falta de segurança pública e de mão de obra, a depreciação da infraestrutura existente, dificuldades para a multimodalidade, o alto impacto ambiental do setor, o custo logístico para a sociobiodiversidade e a vulnerabilidade das infraestruturas às mudanças climáticas.
No transporte de cargas, foram identificadas dificuldades no escoamento da produção para exportação, no atendimento ao mercado doméstico e no abastecimento interno, além de gargalos logísticos na origem das cargas e no transporte de insumos essenciais.
Segundo o Ministério dos Transportes, a partir desse mapeamento, o PNL 2050 será utilizado para equilibrar a matriz de transportes, valorizando modais de maior capacidade e eficiência, como ferrovias, hidrovias, cabotagem e portos. A diretriz é estruturar corredores integrados, capazes de conectar áreas produtoras, centros de consumo e mercados internacionais, com ganhos de eficiência e redução de custos.
Ministério quer mais ferrovias
Para alavancar o modal ferroviário em 2026, o Ministério dos Transportes lançou a Política Nacional de Concessões Ferroviárias, estabelecendo regras de planejamento, governança, sustentabilidade e financiamento, combinando recursos públicos e privados.
A carteira prevê oito leilões este ano, somando mais de 9 mil quilômetros de trilhos, com expectativa de cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos e potencial de alavancar até R$ 600 bilhões ao longo do desenvolvimento dos projetos.
A expansão das ferrovias é estratégica para reduzir custos logísticos, ampliar a capacidade de transporte e diminuir a dependência das rodovias em longas distâncias.
Rodovias
O modal rodoviário segue como eixo central da logística nacional, especialmente no deslocamento da população e na distribuição de cargas. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), apontam que 37,9% dos 114,2 mil quilômetros estão ótimos ou bons, subindo 5% em relação a 2024. No mesmo período, o percentual de rodovias consideradas ruins ou péssimas caiu de 26,6% para 19,1%.
Em menos de três anos, o Ministério dos Transportes realizou 22 leilões rodoviários, com mais de 10 mil quilômetros concedidos e R$ 247 bilhões em investimentos. Para 2026, estão previstos mais 13 leilões, com expectativa de R$ 148 bilhões adicionais.
Estradas vacinais
No caso das vias rurais, o diagnóstico incorporou estudos, em parceria com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que apontam as estradas vicinais como o elo mais frágil da cadeia logística do agronegócio.
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