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27 de Abril de 2015 – 05h15 horas / Hoje em Dia

Ainda não será desta vez que o motorista brasileiro terá à disposição um combustível de qualidade superior. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) adiou, mais uma vez, a vigência da regra que estipula que a gasolina comum deve receber a adição de detergentes dispersantes, o que reduziria o acúmulo de sujeira no motor e os níveis de emissão de poluentes.

A princípio, a norma começaria a valer em janeiro de 2014, juntamente com a redução do teor de enxofre, mas por atrasos na definição de como a aditivação seria feita, a entrada em vigor foi remarcada para julho deste ano. Porém, a ANP já admite um novo adiamento.

“Em breve serão realizadas consulta e audiência públicas referentes à minuta da resolução que alterará as Resoluções ANP nº 1/2014 e nº 40/2013, visando, respectivamente, a adequação das regras para o registro de aditivos junto à ANP e a adaptação do prazo para a adição de detergentes dispersantes à gasolina”, afirmou a agência, por meio de nota.

O órgão regulador não informou a nova data. No entanto, uma fonte ligada à diretoria de uma grande distribuidora informou que a intenção é que a medida só saia efetivamente do papel em 2017. Especula-se ainda que o preço, que já anda em alta e que poderia subir ainda mais com o aditivo, possa ser um dos impedimentos.

Repercussão

A demora é um balde de água fria para motoristas e especialistas do setor. “Uma nova publicação retarda o fim da gasolina comum do modo como existe hoje, sem nenhum tipo de aditivo na sua composição, o que já acontece nos Estados Unidos, Coreia, Japão e países da Europa. É uma pena, pois a adição de detergentes dispersivos aumentaria a qualidade da gasolina”, diz o engenheiro Clayton Zabeu, membro da comissão de Motores Ciclo Otto da SAE Brasil.

Professor do Instituto Mauá, onde são realizados testes e ensaios para introdução da aditivação na gasolina, Zabeu explica que o aditivo serve para manter a linha de alimentação limpa, e isso inclui peças como bomba e bico injetor.

“Também evita entupimento de bico e depósito nas válvulas. Então o que se espera com isso é que tenhamos menos carros estragados nas rodovias e menos custos com manutenção do veículo”, diz.

Segundo ele, é difícil dizer se o valor aumentará para o consumidor quando finalmente a regra entrar em vigor. “Pode ser que não, tendo em vista que o custo do aditivo pode ser diluído em função da enorme quantidade de combustível”, opina.
Em nota, a ANP informou apenas que vigora no país o regime de liberdade de preços. Assim, não há exigência de autorização oficial prévia para reajustes em qualquer etapa da comercialização.

Mercado não tem estimativa sobre impacto no preço final

A obrigatoriedade de adição de detergente dispersivo na gasolina comum gera dúvidas quanto ao segmento da cadeia dos combustíveis que será responsável pela mudança.

“As distribuidoras serão as responsáveis. O detergente dispersivo reduz a formação de resíduos, o que a longo prazo pode provocar economia, ainda que isso seja quase imperceptível”, diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães. Para ele, como o volume do combustível comercializado é muito grande, não haverá impacto do preço na bomba. “O valor deve ser diluído”, acredita.

Já para o diretor de Marketing e Varejo da ALE, Renato Rocha, quem fará a aditivação compulsória será a refinaria produtora da gasolina, no caso, a Petrobras. “O principal ganho para o motorista será uma ligeira melhora no consumo e uma diminuição nas emissões ao meio ambiente. Em geral, o uso de aditivos na gasolina traz todos esses benefícios, que são mais acentuados ainda se usarmos uma gasolina aditivada, que possui níveis de aditivação bastante superiores aos níveis determinados pela portaria da ANP”, propaga.

Como a aditivação compulsória deve ser concentrada na Petrobras, ele diz ser impossível precisar que tipo de impacto terá o preço do produto final na bomba neste momento.

Em nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras (Sindicom) informou que não é possível fazer qualquer avaliação a respeito de custo, visto que ainda se encontram em fase final de definição os requisitos técnicos e testes relativos ao padrão de aditivação a ser adotado.

“Vale lembrar que o preço ao consumidor é livre e entram outros componentes que não somente o custo do aditivo, que, mesmo se conhecido, dificultam qualquer afirmação sobre o preço final em bomba”.


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