Rotatividade e retenção em pauta
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Diretoria de Recursos Humanos promove reunião para discutir formas de diminuir o turnover nas empresas

Manter o quadro de funcionários completo e todos muito bem treinados é o que o RH de toda empresa quer. No entanto, muitas organizações sofrem com os altos níveis de rotatividade e, por isso, têm seus resultados afetados.

Assim, é preciso dar atenção ao turnover (que em inglês, se refere à taxa de substituição de colaboradores), por isso, a Diretoria de Especialidade de RH do SETCESP se reuniu, no último dia 27 de outubro, em um encontro virtual, a fim de discutir estratégias para reter os talentos nas transportadoras.

Convidada para falar sobre o assunto, Cassia Irias, que é consultora de Recursos Humanos e especialista em treinamentos corporativos, apresentou alguns pontos que podem ajudar a reduzir a entrada e saída de profissionais em um curto período de tempo.

Entre os impactos negativos da alta rotatividade, seja o desligamento voluntário, ou não, é que ele acaba sendo um peso a mais no caixa das empresas, por conta dos custos decorrentes de qualquer rescisão contratual, além disso, há questões burocráticas, como a realização de exame demissional e o admissional para o novo contratado e ainda, novos custos resultantes de mais um novo processo seletivo.

Outra coisa abordada pela especialista é que o turnover pode impactar a produtividade de outros funcionários, já que aqueles insatisfeitos costumam compartilhar suas experiências com outros colaboradores. Esse fato levantado foi uma percepção unânime entre os participantes da reunião, que concordaram que essa situação prejudica a imagem da empresa.

Só que ao contrário do que muitos pensavam, o turnover não é algo totalmente ruim. “Manter uma equipe por muito tempo pode ser uma porta fechada para a renovação”, afirmou a especialista, aproveitando para elencar os motivos pelos quais os funcionários costumam se desligar das empresas, como por exemplo, a falta de reconhecimento, de motivação e a baixa remuneração. 

Entretanto, Irias sustentou que nem sempre o salário é o fator principal para a saída do colaborador. “Uma nova proposta com oportunidade de trabalho em uma outra área, ou mesmo a aposentadoria, também são motivos que contribuem para a rotatividade de pessoal”, disse.

Também foi apontado o quanto é importante que os gestores de RH das transportadoras estejam próximos dos líderes das diferentes áreas da empresa, e acompanhem de perto os processos internos. Nesse sentido, destaca-se um alerta, caso seja detectado um aumento de desligamentos em determinada área, isso pode indicar um problema de liderança, e assim, é preciso analisar como estão as políticas de conduta da organização e se as mesmas estão sendo seguidas.

Uma dica para empresa saber se o turnover está elevado é fazer o seguinte cálculo: somar o número de admissões e desligamentos, dividi-los por 2 e depois, o resultado dividir pelo número total de funcionários da organização. Por exemplo, uma empresa com 100 funcionários contratou 9 pessoas, mas desligou 3:   

Turnover = 9 + 3 ÷ 2 = 6 ÷ 100 = 0,06

 Ou seja, a taxa de turnover, será de 6%.  Pode-se dizer que empresas que apresentam um percentual de até 10% estão conseguindo reter bem seus talentos.  

Mostrando as principais ações para a retenção de pessoal, a especialista elencou:

  • Reconhecimento – Criar políticas de meritocracia e de valorização dos resultados e metas atingidas.
  • Clima organizacional – Implementar modelos de relacionamento e de aperfeiçoamento das lideranças.
  • Comunicação – Dar feedbacks pontuais construtivos e motivacionais e elaborar estratégias que alcancem também os motoristas que estão nas estradas e os colaboradores, que estão em trabalhos externos ou home office.
  • Criar uma política de salários – Compare os valores praticados no mercado, pense em benefícios e bonificações. (O IPTC, possui um relatório bastante completo de Cargos e Salário, vale a pena consultar).
  • Programas de capacitação – Investir em qualificação da mão de obra e em plano de carreira. Cursos personalizados e In Company são excelentes alternativas. 

A falta de zelo pelos objetos da empresa, pelo veículo e as áreas comuns também foi um dos assuntos bastante discutidos durante a reunião. Ao passo que, a consultora propôs a realização de campanhas de sensibilização e manuais de conduta de direitos e deveres, para que as transportadoras consigam oferecer e conservar um ambiente de trabalho agradável para seus profissionais.

 “Sentimos por hora a dificuldade de encontrar motoristas profissionais no mercado. Nós sabemos que o capital humano nas empresas de transporte é o ativo mais precioso, e como RH precisamos cuidar muito bem deles”, falou Ducimara Salathiel, diretora da especialidade no SETCESP.

A especialidade de RH da entidade, além de disseminar as boas práticas de gestão da área também, busca subsídios para celebração das Convenções Coletivas de Trabalho do TRC, ela atrai um contingente bastante expressivo de participantes, porque apresenta informações e esclarecimentos sobre a legislação trabalhistas.


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