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29 de Abril de 2016 – 02h32 horas / AutomotiveBusiness

Em tom mais pessimista, os executivos das montadoras de veículos pesados que participaram do VII Fórum da Indústria Automobilística fizeram previsões de queda de vendas para este ano. Durante o evento realizado por Automotive Business no dia 28, no Golden Hall do WTC, o vice-presidente de vendas e marketing da MAN Latin America, Ricardo Alouche, disse que em razão do declínio de 36% detectado neste primeiro trimestre os licenciamentos em pesados deverão atingir entre 52 e 55 mil unidades em 2016.

 

No ano passado, as vendas de caminhões alcançaram mais de 70 mil unidades. “Mesmo com uma melhora no quadro político, não dá mais tempo para recuperar essa queda do primeiro trimestre. Este ano esperamos que seja de recuperação, lenta, mas haverá uma recuperação caso as incertezas políticas e econômicas sejam sanadas”, diz Alouche.

 

O diretor de vendas de caminhões da Scania, Victor Carvalho, também acredita numa queda de 10% no mercado este ano. Um dos fatores é a falta de previsibilidade dos investidores por causa do caos político que se instalou em Brasília. “Sofremos muito no ano passado com o adiamento de compras de frotistas e por isso perdemos participação de mercado. O que fizemos foi nos voltarmos um pouco mais para o varejo, a fim de poder minimizar o impacto. Mas acredito que ao menor sinal de melhora no cenário político a confiança do investidor será retomada e com ela o mercado. Há hoje um represamento de vendas por conta da crise”, ressalta Carvalho.

 

Outro que prevê queda nos licenciamentos de caminhões é o diretor de vendas e marketing da Mercedes-Benz, Ari de Carvalho. O executivo acredita que o mercado deverá alcançar 62 mil unidades, mesma estimativa realizada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Carvalho, no entanto, faz uma ressalva: se ocorrer uma mudança na conjuntura política, esse quadro poderá melhorar.

 

"Haverá a volta da confiança e com ela os pedidos que estão parados nas transportadoras. Há espaço para crescer, mas o empresário espera a resolução de todos esses problemas para decidir pelo investimento", afirma o executivo.

 

Um dos mais otimistas e esperançosos é o diretor de operações da Ford Caminhões, João Pimentel. Para ele, o mercado deverá se manter este ano. "Retomamos o terceiro lugar nas vendas no ano passado e os investimentos que foram feitos se demonstraram eficazes. Acredito que vamos melhorar nossa posição, mesmo com o mercado estável este ano”, ressalta Pimentel.

 

INVESTIMENTOS

 

Mesmo com o mercado em retração desde 2014, as montadoras de veículos pesados vêm investindo em produtos e melhora da capacidade produtiva. A Scania, por exemplo, vai aplicar somente neste ano R$ 400 milhões em sua linha em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A ideia, segundo Victor de Carvalho, é adequar a fábrica, principalmente a área de pintura, para receber os novos caminhões Euro VI que serão produzidos aqui, inicialmente para exportação. "Normalmente, investimos R$ 100 milhões por ano na unidade brasileira. Este ano vamos acelerar esses aportes para receber os novos modelos e também equacionar um gargalo que tínhamos na área de pintura”, diz Carvalho. As obras já começaram, mas o executivo não informou qual o prazo para a conclusão dos trabalhos.

 

A MAN, a Iveco e a Mercedes também anunciaram que vão manter os investimentos, mesmo em tempo de crise. O vice-presidente da Iveco, Marco Borba, diz que as atuais taxas de financiamento hoje praticadas no Brasil, TJLP, têm condições de manter o nível atual de vendas do mercado.

 

CONCORRÊNCIA

 

O diretor de vendas de caminhões da Volvo do Brasil, Bernardo Fedalto, acredita que a entrada de novos players no mercado brasileiro não será um problema. "Ter novos competidores é bom para estimular o mercado. Um mercado mais aberto e livre é mais desafiador”, diz, citando como exemplo a holandesa DAF, que já tem uma unidade produtiva no Brasil.


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