+55 (11) 2632-1000
Escolha uma Página
04 de Outubro de 2016 – 04h21 horas / FIESP

O custo é alto para a sociedade e para o crescimento econômico. Para debater a problemática dos juros no Brasil, foi realizado, na manhã de segunda-feira (03/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “É possível reduzir a taxa de juros”. O evento foi aberto pelo vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da instituição, José Ricardo Roriz Coelho, que apresentou um estudo sobre o assunto.

 

“A taxa real de juros do Brasil é muito alta”, disse. “Entre 2005 e 2015, foi, em média, de 5,63%. Nos demais países da América Latina, a média foi de 1,7%”.

 

E porque a taxa é tão elevada? “O descontrole fiscal influencia a taxa de juros real”, explicou Roriz. “E mais: resultado primário insuficiente, elevado nível da dívida pública e elevada parcela da dívida pública atrelada à Selic”.

 

Segundo Roriz, a “Fiesp entende que se ajuste fiscal não for feito de forma contundente, teremos mais uma década perdida”.

 

“Países como Uruguai, Índia e Egito têm dívida bruta do governo maior do que a brasileira, mas taxas de juros reais mais baixas”, explicou Roriz. “São R$ 4,21 trilhões de dívida pública no Brasil, o que equivale a 69,5% do PIB”.  E tem mais: “43% da dívida pública é atrelada à Selic, isso afeta e eficácia da política monetária”.

 

O prazo da dívida pública é outro ponto a ser debatido, com elevado percentual da dívida concentrado no curto prazo no País. “Hoje, temos 18,4% da dívida sendo rolada em um ano, há um esforço de rolagem com juros no Brasil”.

 

“Os argumentos não são suficientes para explicar a discrepância do juro real brasileiro frente às demais economias em desenvolvimento, já que muitas delas enfrentam situações semelhantes e têm juro real inferior”, disse Roriz.

 

De acordo com Roriz, temos atualmente R$ 430 bilhões ou 7% do PIB ligado ao pagamento de juros da dívida pública. “O custo é alto para a sociedade e para o crescimento”, afirmou. “Para que investir em atividade produtiva se o setor financeiro parece tão mais convidativo? ”.

 

Como reflexo disso, o mercado financeiro fica concentrado em ativos de curto prazo, sem foco no financiamento de longo prazo. “E o crédito para o setor privado tem taxas muito elevadas”.

 

E isso não é tudo. “O Custo Brasil e o desalinhamento cambial são responsáveis pela desindustrialização, pois geram um diferencial de preços desfavorável ao produto industrializado nacional”, afirmou Roriz. “É preciso reduzir a taxa básica de juros”.

 

Proposta

 

Em 2017, conforme das projeções elaboradas pelo Boletim Focus, do Banco Central, a inflação será de 5,1% e, a Selic, de 11%, com juro real de 5,9%. “Propomos cortar a Selic em três pontos percentuais em 2016 e em 1,75 ponto percentual em 2017”, afirmou Roriz.

 

“Destacamos ainda o corte de gastos de curto prazo, a aprovação da PEC do teto dos gastos e a aprovação da reforma da previdência”, disse. “Somente com a redução dos juros poderá haver recuperação da atividade econômica e da arrecadação tributária, condições fundamentais para o ajuste fiscal.

 

O seminário contou ainda com as participações do professor da FGV Fernando de Holanda Barbosa, do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, do diretor da Mauá Capital Luiz Fernando Figueiredo e do diretor da FGV-EESP e professor de pós-graduação e graduação da instituição Yoshiaki Nakano.

 

“É preciso que exista o compromisso do governo com as contas do país”, disse Barbosa. “Ver como aprimorar o mercado de câmbio para que riscos diminuam. Só assim poderemos baixar os juros”.

 

Para o professor, é preciso “usar o chapéu da responsabilidade fiscal e deixar as aventuras de lado”.


voltar