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22 de Maio de 2017 – 04h52 horas / Folha de S. Paulo

As rodovias federais brasileiras têm 1.969 pontos vulneráveis à exploração sexual infantil, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal.


A contagem mais atual foi feita entre 2013 e 2014 e localizou um número 11% maior de locais em relação ao biênio anterior. Operações policiais nos últimos dez anos resgataram 4.321 crianças e adolescentes nessas áreas.


A exploração na beira da estrada pode estar escondida em uma barraca de alimentação ou no pátio de um posto de combustível, diz o policial Igor Carvalho, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da PRF.


"É fácil identificar. Onde tem prostituição, tráfico de drogas e crimes violentos também tem criança sendo explorada", diz.


Sete grandes eixos rodoviários concentram a metade dos lugares onde ocorre violência sexual.


As vítimas, na maioria, nasceram em famílias desestruturadas e com baixa escolaridade. "Crianças são tiradas do seio familiar por uma rede especializada de aliciadores que prometem a elas melhores condições de vida", afirma Carvalho.


A meta da corporação é auxiliar governos estaduais a monitorar seus próprios pontos vulneráveis. Único Estado que já tem seu mapa, Pernambuco contou 1.300 pontos suspeitos em 7.000 quilômetros de estradas.


A Childhood Brasil pesquisa, há dez anos, o papel de caminhoneiros nesse drama.


Em 2015, de 680 motoristas entrevistados, 13% afirmaram já ter feito sexo com menores de 18 anos. Em 2005, a parcela chegava a 37%.


"No passado, quando o caminhoneiro era abordado para um programa sexual infantil, entendia que era normal e que estava até ajudando a vítima. Hoje, sabe que é crime", diz Eva Dengler, gerente de programas empresariais da Childhood.


A mudança tem ocorrido nas empresas, segundo entidades do setor. "O caminhoneiro sai do pátio muito bem orientado a não parar nos pontos vulneráveis", diz José Helio Fernandes, presidente da NTC&Logística, que representa 3.000 transportadoras.


A falta de estrutura nas estradas favorece o crime, na visão de Pedro José Lopes, presidente da Associação Brasileira de Logística e Transporte de Carga. "Os pátios são abertos, sem iluminação adequada. Exposto e desassistido, o profissional cai nesse tipo de situação."


A Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado de São Paulo, com 250 mil cadastrados, reconhece que a classe movimenta a cadeia da exploração sexual infantil.


Para a entidade, o antídoto está na educação. "Tanto o novo motorista como o veterano tem passado por capacitação em direitos humanos", afirma o diretor, Haroldo Christensen.


Com 145 postos de atendimento nas maiores rodovias e cursos, o Sest (Serviço Social do Transporte) e o Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) trabalham para fazer do caminhoneiro um agente de proteção da infância, segundo a diretora Nicole Goulart.


"A informação qualificada tem tornado muitos deles denunciantes de violações contra as crianças. Mas é um trabalho de formiguinha."


TOTAL DE PONTOS VULNERÁVEIS DE PROSTITUIÇÃO INFANTIL


1.969 são os locais propícios 
4.321 crianças e adolescentes foram resgatados entre 2005 e 2014
470 cidades concentram 56% de pontos críticos e de alto risco
408 locais críticos estão em postos de combustíveis em zonas urbanas
Fontes: Polícia Rodoviária Federal e Disque 100


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