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10 de Novembro de 2016 – 05h36 horas / Paraná Portal

A Rodovia Regis Bittencourt, entre Curitiba e São Paulo, aparece como um dos trechos mais perigosos do mundo para o transporte de cargas, segundo levantamento mensal feito pela Joint Cargo Commitee, um comitê misto de representantes da área de avaliação de risco do mercado segurador de Londres, Inglaterra.

 

O trecho da BR-116, junto com outras quatro rodovias brasileiras, entrou na lista em outubro deste ano. As rodovias relacionadas são BR-116 (Curitiba-São Paulo); SP-330 (Uberaba-Porto de Santos); BR-116 (Rio de Janeiro-Sao Paulo), e BR-050 (Brasilia-Santos).

 

Chamado JCC Cargo watchlist, o levantamento relaciona sete categorias de risco para o transporte de cargas, que vão de guerras no mar e no ar, greves em portos e aeroportos, até assaltos em estradas. Além disso, há sete níveis de perigo. As rodovias brasileiras relacionadas aparecem com risco “muito alto”, o terceiro mais perigoso da classificação.

 

Apesar de não sofrer com fatores de risco ligados a guerras; as estradas brasileiras receberam pontuação 3,4. A classificação ficou semelhante à recebida pelo México, que ficou com pontuação 3,6 e a mesma classificação de “risco muito alto”.

 

Estão à frente do Brasil apenas países que estão em guerra, como Afeganistão, Iraque, Sudão do Sul, Síria e Iêmen. Esses todos classificados como de risco “severo”. Neste mês, nenhum trecho do mundo foi classificado como de risco “extremo”, o mais perigoso da lista.

 

Segundo o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná, Coronel Sérgio Malucelli, as transportadoras são orientadas a fazerem comboios para entrar e sair de Curitiba e São Paulo. Quanto mais próximo das duas cidades, fica mais perigoso. Além dos assaltos, há ainda o perigo de acidentes.

 

“É uma rodovia de alto risco. Há uma preocupação enorme por parte das empresas de transporte no que orientam seus motoristas para quando possível façam comboios tendo em vista os vários assaltos que existem na saída de São Paulo assim como na chegada de Curitiba”, orienta.

 

Seguradoras recusam garantir cargas visadas

 

A classificação das rodovias brasileiras como de alto risco deixa mais caro o preço do transporte. Somente o valor dos seguros representam em média 12% do custo das transportadoras. “As empresas de transporte já utilizam até 12% que se agregam ao custo operacional do transporte, que realmente acaba caindo na mesa do consumidor.

 

Para algumas cargas, as seguradoras sequer aceitam cotar um valor de ressarcimento para casos de assaltos.

 

“Tem certas cargas que nem seguradas são devido ao alto risco. São cargas de alto valor agregado e muito visadas nesse trecho. Exemplo: pneus e eletrônicos. São duas cargas que dificilmente as seguradoras garantem o seguro nesse trecho de Curitiba a São Paulo”, revela.

 

O levantamento do comitê britânico é referente a outubro. O coordenador de Comunicação da Polícia Rodoviária Federal Fernando Cesar Marcelino ressalta que a PRF não registrou no trecho paranaense da BR-116 nenhum caso de roubo de carga em agosto e setembro.

 

“É um trecho crítico porque é um corredor, praticamente a principal ligação entre o Sul e o restante do país. Muitas cargas passam por ali. No trecho paranaense, de 90 quilômetros entre o trevo do Atuba e a divisa com São Paulo, a PRF não registrou nenhuma ocorrência de roubo de carga em agosto e setembro”, garante.

 

O agente da PRF afirma que o roubo de carga em si é apenas uma etapa do crime. Os receptadores contribuem para os índices negativos. “O roubo de carga acontece porque na outra ponta há receptadores. Quem pratica roubo de carga tem que dar vazão ao que ele assaltou”, aponta.


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