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17 de Janeiro de 2017 – 03h25 horas / DCI

O número de empresas que realizaram vendas para o exterior chegou a 22.204 no ano passado, um aumento de 9% na comparação com 2015. Foi a maior quantidade registrada desde 1997, quando teve início a série histórica do governo.


Os dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) também mostram que esse avanço foi causado por uma maior inserção, em 2016, das companhias de menor porte no mercado internacional.


Entre janeiro e dezembro, 17.631 empresas fizeram exportações com valor inferior a US$ 1 milhão, uma expansão de 12% ante igual período do ano anterior.


"Essas negociações foram realizadas por firmas de tamanho micro, pequeno ou médio", disse José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).


A maioria dessas empresas trabalha com manufaturados, como calçados e confecções, explicou o especialista. "Elas tentaram se inserir no exterior como uma forma de sobrevivência, para compensar as perdas registradas no Brasil", acrescentou.


É o caso da VP Arte. Para matéria publicada por este jornal na semana passada, Ana Paula Paschoalino, sócia da companhia, contou que a venda de dobradeiras de acrílicos para países latino-americanos, como Bolívia e Paraguai, ajudou a empresa a fechar as contas em 2016.


"Foi uma ajuda considerável para esse período de crise, em que nossas vendas dentro do País desaceleraram", disse a entrevistada, que apostou em um aumento dos embarques nos próximos anos.


Multinacionais

 

Entretanto, Castro ressaltou que ainda existe uma "dependência" das exportadoras de maior porte. Apenas 1.251 empresas foram responsáveis por 93% dos ganhos com embarques, ou US$ 171,886 bilhões, no ano passado.


"É importante a entrada das pequenas no comércio exterior, mas ainda há uma grande preponderância de algumas multinacionais e de alguns produtos. Precisamos diversificar", defendeu ele.


De acordo com o Mdic, as três principais exportadoras do País, em 2016, foram a Vale, que já estava no topo da lista no ano anterior, a Petrobras, que se manteve na segunda posição, e a Embraer, que subiu duas colocações.


Compras do exterior

 

Enquanto as companhias que vendem para fora avançaram, a quantidade de importadoras diminuiu 11%, em 2016, para 37.778 empresas. Segundo especialistas consultados pelo DCI, os principais motivos do recuo foram o câmbio elevado, especialmente no primeiro semestre de 2016, e a fraqueza da demanda interna.


Houve quedas em todas as faixas de valor. Diminuiu (-15%) o número de importadoras que fizeram negócios superiores a US$ 100 milhões, mas também caiu (-10%) o número de firmas que realizaram compras de até US$ 1 milhão.


As principais importadoras, no ano passado, foram a Petrobras, que também liderou em 2015, a Embraer, que subiu uma posição, e a Samsung, que caiu uma colocação.


Reversão em 2017

 

O aumento do número de exportadoras se deu, principalmente, no primeiro semestre do ano passado. Com o avanço do processo de impeachment, que foi acompanhado pela valorização do real, o número de empresas que venderam para o exterior passou a diminuir nos últimos meses de 2016.


"Se o câmbio continuar no patamar em que está, próximo dos R$ 3,20, essa quantidade continuará caindo nos próximos meses", projetou Castro. Ele também indicou que uma alta na cotação internacional do minério de ferro deve manter a Vale como a principal exportadora do País em 2017.


Por outro lado, deve crescer o número de importadoras, afirmou o especialista. "Mais uma vez, vai depender da manutenção do câmbio nesse patamar", ponderou.


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