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Maioria dos transportadores só acredita em melhoras em 2017
03 de Fevereiro de 2016 – 06h38 horas / Nelson Bortolin – Revista Carga Pesada

Pesquisa da Confederação Nacional de Transportes (CNT) divulgada em novembro mostra que 50,8% dos transportadores entrevistados esperam perceber a retomada do crescimento econômico somente em 2017, 18,9% em 2018, e 13% a partir de 2019.


O ex-presidente da NTC&Logística e atual conselheiro da entidade, Geraldo Vianna, acredita em melhorias somente para meados de 2017. Até lá, segundo ele, as coisas ainda vão piorar. Na sua visão, o transporte rodoviário de carga está “fortemente endividado” e continua com muito mais caminhões do que o necessário. “Não há como o transporte da safra de grãos salvar todo o TRC”.


A crise tem um impacto muito grande no transporte devido ao que Vianna chama de bolha rodoviária. Para segurar a economia brasileira após a turbulência internacional de 2008, o governo incentivou a indústria automobilística. Os juros do BNDES para a compra de caminhões chegaram a ficar negativos. “Nós alertávamos que ia haver uma inundação de caminhões e defendíamos um programa de incentivo à compra de caminhões novos dentro de uma política de renovação da frota e não de ampliação”, alega.


O governo não lhe deu ouvidos. “A indústria estava vendendo caminhão como pão quente. O programa de incentivo não foi feito para atender à necessidade do transporte, mas para atender a indústria automotiva e garantir emprego aos metalúrgicos”.


Mas por que o TRC não viu a luz amarela acender? – questionou a reportagem. “Por causa da euforia. O Brasil estava crescendo muito. Dizia-se que se tornaria a quarta economia do mundo. O discurso era de que precisávamos nos preparar para atender à demanda de um crescimento muito grande”, disse Vianna. “Tinha gente que nem precisava de caminhão, mas comprou para aproveitar a oportunidade. Foi um exagero”, considera.


Vianna diz que sempre foi otimista – e continua sendo. “Sou otimista em relação ao futuro de longo prazo, mas, em relação ao período de até dois anos, temos de ficar com os dois pés atrás”, declara. Ele deixa claro que se trata de uma visão pessoal e não da entidade que representa.


O presidente  do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp) e diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios do Grupo Braspress, Tayguara Helou, concorda com Geraldo Vianna: início de recuperação, só em 2017.


Helou ressalta que, apesar de uma retração menor do PIB em 2016, a situação das empresas do TRC estará muito difícil. “Uma coisa é encarar uma retração de mais de 3% (em 2015), com o fôlego ganho nos anos anteriores. Em 2016, teremos menor capacidade, porque estaremos vindo de um ano muito ruim. Mas será o fundo do poço, depois melhora”, justifica.


O cenário político do País, na opinião do empresário, tem travado a economia. Ele diz ter esperança de que, em 2017, a Operação Lava Jato tenha sido concluída, porque “ela impede muita coisa”. Helou acredita que 2015 ficará marcado com o ano da virada do Brasil para um “País de instituições sérias. Tivemos um senador preso, um banqueiro preso, o dono de uma das maiores empresas de construção preso”, lembrou, referindo-se ao senador Delcídio Amaral (PT/MS), ao dono do Banco BTG Pactual, André Esteves, e ao presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. “A impunidade começa a ser combatida de fato no Brasil”.


Já o diretor da Mira Transporte, Roberto Mira Jr., traz uma voz otimista para 2016. “Acredito que o segundo semestre do ano será melhor”, declara. Para ele, 2015 foi o ano do aperto e do acerto. “O mercado onde atuamos teve uma queda na ordem de 25% e nós tivemos uma queda de 12%.” A empresa reduziu custos fixos e variáveis, num processo ainda não concluído.


Independentemente da duração da crise, o empresário, que é vice-presidente eleito do Setcesp e vice-presidente de Assuntos Trabalhistas da NTC&Logística, informa que fazer parcerias com outras empresas para atender todo o território nacional tornou-se uma tendência das transportadoras brasileiras. As parcerias incluem a utilização de uma mesma estrutura administrativa e poderão levar a fusões. “O mercado do transporte rodoviário de carga tende a ficar para grandes empresas nacionais. As pequenas irão trabalhar para as grandes”, afirma.


A união de empresas nacionais, de acordo com ele, é necessária para fazer frente à compra de grandes transportadoras por multinacionais, como foi o caso da Atlas pela Femsa e da TNT pela FedEx. Para garantir a cobertura do País, a Mira já encontrou parceiros no Norte e Sul/Sudeste e está em vias de obter um no Nordeste.


Mira Jr. afirma que, em muitas operações, é necessário terceirizar o serviço. Ele conta que a Mira não pretende ampliar frota, mas irá renovar. “Onde valer a pena, vou botar caminhão com o menor custo possível. Onde não valer, vou terceirizar”, explica.


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