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05 de Janeiro de 2017 – 04h37 horas / Automotive Business

As vendas de veículos no Brasil ainda devem patinar ao longo de 2017 antes de uma recuperação consistente começar. Esta é a impressão da Fenabrave, entidade que representa o setor da distribuição, que anunciou na quarta-feira, 4, a projeção para o ano. A expectativa é de crescimento modesto, de apenas 2,3% na comparação com o fraco resultado de 2016. Se o número se concretizar, o mercado interno alcançará 2,1 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

 

Em novembro a Fenabrave chegou a anunciar a expectativa de que as vendas de veículos crescessem perto de 7% ao longo deste ano. A visão, no entanto, mudou rapidamente. “Naquele momento apostávamos em melhora mais significativa do cenário, algo que não aconteceu. A crise política voltou a se agravar, prejudicando as tentativas de recuperação econômica”, avalia Alarico Assumpção Jr., presidente da associação que reúne os concessionários.

 

Ele cita a recente delação premiada feita por executivos da Odebrecht, envolvendo membros da equipe do atual governo. Além disso, 2016 terminou com resultado ainda mais fraco do que o esperado pela entidade, com redução de 20,2% nos emplacamentos, para apenas 2,05 milhões de veículos, o que ajudou na redução das expectativas para este ano.

 

A Fenabrave é enfática ao defender que “o pior já passou”, mas admite que 2017 não será propriamente um ano de retomada do crescimento. O período é de transição para aumento mais consistente apenas a partir de 2018, reforça Tereza Maria Dias, da MB Associados, consultoria econômica que atende a Fenabrave. "O resultado só será pior este ano se o presidente Michel Temer cair", diz, comentando a possibilidade de mais um impeachment. Ela estima que o PIB brasileiro cresça apenas 1% este ano depois da forte queda de 3,5% estimada para 2016. O desemprego, aponta, aparentemente parou de crescer, mas ainda não deve diminuir.

 

Ela identifica, no entanto, alguns componentes positivos que devem contribuir para elevar o patamar de vendas. “A inflação está mais baixa, a produção industrial parou de cair e a demanda por crédito aumentou”, diz. Com o cenário um pouco mais favorável, a consultora estima que os bancos reduzam o rigor para liberar financiamentos. Mesmo com a inadimplência controlada no setor automotivo, próxima de 4,5%, a Fenabrave indica que as instituições financeiras só aprovam três em cada 10 pedidos de crédito para veículos.

 

PESADOS CRESCEM MAIS

 

Para a Fenabrave, o segmento de pesados tende a registrar alta um pouco mais expressiva, de 3,1%, para 65,9 mil unidades. Ainda assim, o número é bem mais modesto do que algumas projeções feitas ao longo do ano passado, que apostavam em aumento de até dois dígitos nos negócios do setor.

 

Do total, a Fenabrave calcula que 51,7 mil veículos sejam caminhões e outros 14,2 mil chassis de ônibus. O número ainda é bastante inferior ao recorde alcançado em 2011, quando foram vendidos localmente 207 mil pesados. “Calculo que o mercado interno volte a superar a marca anual de 80 mil caminhões apenas em 2020. Nem consigo projetar quando alcançaremos novamente o patamar recorde”, admite.

 

Na análise da entidade, a demanda por veículos leves tende a crescer 2,4% ao longo de 2017, para 2,03 milhões de emplacamentos. A expectativa é que, deste número, 1,72 milhão sejam automóveis e 306,9 mil unidades sejam comerciais leves.


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