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27 de Março de 2017 – 04h37 horas / Folha de Vitória

Reduzir os problemas no trânsito e melhorar a mobilidade urbana em todo o Espírito Santo é um dos principais objetivos do governador Paulo Hartung durante o seu mandato.


A missão de representar o governo e tocar as mais de 30 obras de infraestrutura rodoviária que serão realizadas no Estado é de Ênio Bergoli, atual diretor do Departamento de Estradas e Rodagem (DER).


Há menos de um ano à frente do cargo, ele é uma das figuras centrais no desenvolvimento rodoviário que pretende transformar o Espírito Santo nos próximos anos com obras na Região Metropolitana e no interior.


Em entrevista à Folha Vitória, Bergoli detalha quais são essas intervenções, como elas serão realizadas e os benefícios que isso trará para a população capixaba.


Folha Vitória: O senhor está à frente do DER há praticamente oito meses. Qual foi seu maior desafio até aqui e o qual o objetivo principal para o futuro?


Ênio Bergoli: O DER é um dos órgãos da administração do Estado que tem mais tempo de atuação, está completando 71 anos. Vivemos em um Estado com quase sete mil quilômetros de rodovias estaduais, sendo que 3600 estão pavimentados e 3400 ainda não estão. Então, posso te dizer que esse é o maior desafio à frente do DER: manter a qualidade das vias já pavimentadas e pavimentar ainda mais trechos, principalmente no interior. Destravar o ir e vir de pessoas, de mercadorias. Vamos colocar um conjunto de 23 novas obras, que vão resultar num conjunto de 43 intervenções em todo o Estado, isso também é importante.


F.V: O desafio maior é recuperar essas estradas pavimentadas ou pavimentar novos locais?


E.B: Os dois são interessantes e importantes. Precisamos recuperar a malha viária do Estado e também pavimentar novas estradas. Importante frisar também que 40% da malha viária que já está pavimentada está no fim da vida útil e precisa ser recuperada da melhor forma possível.


F.V: O governo anunciou recentemente obras de infraestrutura rodoviária em cerca 30 municípios capixabas. Qual a importância disso para a mobilidade urbana do Espírito Santo, tanto do interior como da Grande Vitória?


E.B: Antes de tudo, é preciso ressaltar que, em termos de volume de recursos, os investimentos serão praticamente divididos: mais ou menos 50% dos recursos para o interior e 50% para a Grande Vitória. São 43 intervenções ao todo, 24 novas obras, 14 pontes e cinco recuperações funcionais. Vamos manter os 500 empregos das obras atuais e vamos gerar outros 1950 postos de trabalho. São oportunidades para mais de duas mil famílias capixabas.

F.V: Dentre essas obras, diversas serão feitas no interior do Estado. Contando um pouco com a sua experiência anterior de secretário de Agricultura (entre 2009 a 2014), qual a importância dessas intervenções para os municípios do interior?


E.B: Eu não tenho dúvida que essas intervenções são importantes para o interior e para a Região Metropolitana também. Nos maiores desafios eleitos pelo setor primário sempre aparecem aspectos ligados a infraestrutura e o acesso a estrada é um dos mais relevantes. O agronegócio tem uma força muito grande dentro do Brasil. O Espírito Santo, por exemplo, é um grande exportador de café, de pimenta do reino, de carne bovina, e esses produtos precisam chegar aos seus destinos, a casa dos brasileiros, aos portos para serem exportados.


F.V: O Senhor destaca alguma obra no interior como principal?


E.B: A duplicação de Cachoeiro de Itapemirim até o distrito de Coutinho é o maior investimento em mobilidade urbana e humana em uma cidade do interior do Espírito Santo. Se somar, são quase R$ 50 milhões em investimentos. Por ali passa pessoal do Caparaó, do leste de Minas Gerais, do Rio de Janeiro. É uma obra que integra trânsito de pessoas, de mercadoria e vai beneficiar bastante os cachoeirenses.


F.V: Também existem obras de melhoria urbana na Região Metropolitana?


E.B: São diversas intervenções na Grande Vitória. A Leste-Oeste, Alice Coutinho, José Sette, Leitão da Silva, Contorno de Cariacica (passando por Aruaba), o Contorno do Mestre Álvaro, que conseguimos equacionar a parte da obra pelo DNIT e o Estado vai conduzir as questões de desapropriação. É importante frisar uma coisa: esse conjunto de intervenções da Região Metropolitana é o mais importante e relevante para a história do Espírito santo depois da construção da Terceira Ponte. Nós temos muitos gargalos aqui na Grande Vitória e uma grande parte dessas obras, quando concluída, vai tirar o trânsito pesado dessa região central.


F.V: Uma das maiores reclamações quanto a essas intervenções são os atrasos nas obras, como o caso da avenida Leitão da Silva, por exemplo. Porque o prazo para conclusão da obra aumentou?


E.B: A decisão de atrasar a conclusão dessa obra foi muito difícil. Posso dizer que este era um projeto que estava sendo conduzido de uma forma, no mínimo, inadequada. Ele não contemplava, por exemplo, uma interligação com o projeto de macrodrenagem da Prefeitura de Vitória. Então, os recursos do primeiro contrato não dariam para finalizar a obra. Por isso, optou-se por não paralisar a obra, mas fazer ajustes no projeto e atrasar a entrega, mas concluir o projeto de forma correta, com as galerias, calçadas cidadãs, ciclovia. O que muita gente não sabe sobre esse projeto da Leitão da Silva é que a maioria dos investimentos não são visíveis a população, como as galerias, que ficam no subsolo e vão impedir que a avenida alague novamente.


F.V: Depois dessas alterações todas, qual o prazo final para a entrega da obra?


E.B: É bem possível que nós consigamos concluir as obras até o fim do primeiro semestre do ano que vem.


F.V: E das demais obras, qual terminará primeiro?


E.B: São várias obras em andamento, mas as intervenções no complexo Leste-Oeste devem ficar prontas primeiro. A nossa programação é concluir a parte principal em outubro. Ou seja, o motorista vai conseguir sair de Vila Velha e chegar até a BR-262. É importante frisar que depois desse prazo nós ainda teremos algumas intervenções por lá, mas isso não impedirá o fluxo de veículos no local.


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