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26 de Fevereiro de 2014 – 04h00 horas / O Estado de S. Paulo

Embora o financiamento à aquisição de bens de capital tenha permanecido o ano passado inteiro com juros negativos nas linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os investimentos em caminhões e ônibus em 2013 não foram suficientes para recuperar o tombo do ano anterior, segundo cálculos da LCA Consultores, feitos a pedido do Estado.


Em 2012, caminhões e ônibus responderam por quase metade aa queda de 4% na formação bruta de capital fixo (FBCF, conta dos investimentos no Produto interno Bruto, o PIB). Ano passado, os investimentos devem ter crescido 4,7%, na projeção da LCA, reduzindo o ritmo de quase 8% verificado no primeiro semestre. Caminhões e ônibus adicionaram 0,8 ponto porcentual (17% do total).


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará os números definitivos amanhã, no Rio.


Para Braulio Borges, econo-mista-chefe da LCA, a explicação para o peso menor dos caminhões e ônibus nos investimentos remonta a 2011. Com a mudança no padrão dos motores em janeiro de 2012, houve antecipação de compra no ano anterior. Como a frota tem vida útil superior a um ano, o juro negativo é insuficiente para incentivar novos investimentos. "O crédito com juro negativo surtiu efeito, mas o consumo aparente de caminhões e ônibus não se recuperou do tombo de 2012 por causa da antecipação. Nem todos renovam a frota porque tem crédito barato."


A produção de caminhões e ônibus, incluindo motores, aumentou 30% em 2013. No entanto, a expansão foi insuficiente para devolver a queda de 364% em 2012, segundo o economista Fernando Abritta, da Coordenação de Indústriado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Apesar do crescimento, o patamar de produção de 2013 está 174% abaixo de 2011."


Cautela


Embora não tenham voltado ao ritmo de 2011, os fabricantes afirmam que 2013 foi um ano de recuperação. "O número de produção foi substancialmente melhor. O número de empregos também cresceu", afirma Roberto Cortes, presidente da MAN Latin America, fabricante de caminhões controlada pela Volkswagen, há cerca de um mês.


A produção da MAN passou de 47,9 mil unidades em 2012 para 61,2 mil em 2013. Em 2011, porém, a produção foi de 83,2 mil veículos. Para 2014, segundo Cortes, a perspectiva é positiva, desde que haja crescimento econômico.


O ritmo do crescimento dos investimentos diminuiu do primeiro para o segundo semestre. Segundo a LCA, apenas com o comportamento do primeiro semestre, a FBCF teria subido cerca de 8% ano passado, mesmo se o crescimento fosse zero na segunda metade do ano. Mas o segundo semestre foi de queda, projeta a LCA.


Por isso, o quadro é de cautela, segundo o economista-chefe da gestora de recursos INVX Global Partners, Eduardo Velho. "Mesmo com as concessões de serviços públicos e juros ainda reduzidos no BNDES, o viés da produção de máquinas e caminhões ainda é de 'cautela e negativa', em razão da desaceleração do consumo, restrições de crédito e revisão para baixo do crescimento brasileiro." A INVX prevê alta de 6% na FBCF em 2013, recuando para 4% neste ano.


Segundo Borges, da LCA, a alta do dólar, que encarece o investimento, também contribuiu para a piora no cenário no fim do ano passado. "Metade do maquinário é importado." Outros fatores negativos foram a elevação da incerteza na economia doméstica e global e a expectativa menos otimista para a safra Agrícola.


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